Entre os dias 10 e 13, jornalistas e comunicadores da Bahia estiveram No 40º Congresso Nacional dos Jornalistas, o maior fórum democrático da categoria no país. Realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em parceria com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF). O evento trouxe o tema — Os Desafios do Jornalismo: de Gutenberg à Inteligência Artificial e reuniu cerca de 250 jornalistas, estudantes, pesquisadores e especialistas para discutir o futuro da profissão diante dos impactos da inteligência artificial (IA), da precarização do trabalho e da necessidade de novos marcos regulatórios para o setor.
Representando o SINJORBA- Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia, estiveram presentes, Fernanda Gama- Presidente, Gabriela de Paula, vice-presidente do Sinjorba; Murilo Bereta, secretário-geral do Sinjorba e Paulo de Almeida Filho, conselheiro fiscal do Sinjorba e Ezequias Alves, Diretor Regional Extremo Sul.

A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, destaca que o encontro representa “o momento em que a categoria reafirma seu compromisso com um jornalismo ético, plural e democrático”. Ela ressalta que o debate sobre tecnologia precisa estar orientado pela missão social da profissão: “É necessário debater a tecnologia sem abrir mão da nossa responsabilidade com o interesse público”.
IA, regulação e precarização: o centro do debate
Neste ano, a inteligência artificial ocupou o foco dos principais painéis e da conferência magna. As discussões abordarão os efeitos da automação sobre rotinas nas redações, autorregulação algorítmica, segurança informacional e proteção dos direitos dos jornalistas.
Entre os convidados, está a deputada federal Luiziane Lins (PT-CE), integrante do grupo de trabalho que discute regulação da IA no Congresso Nacional, do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do PL 2630, que tratou da regulação de plataformas, além do secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, João Brandt, reforçando a conexão do debate sindical com o campo legislativo e executivo.
Além da tecnologia, o Congresso também debateu:
* Crescimento da pejotização no mercado de trabalho
* Redução de equipes e acúmulo de funções
* Desigualdades regionais no emprego jornalístico
* Impactos da automação na remuneração e nas condições de trabalho
A Fenaj defende que a inovação tecnológica não pode servir de justificativa para precarizar ainda mais a categoria e garantir resultado financeiro aos contratantes dos serviços jornalísticos.

Sustentabilidade do jornalismo e defesa da democracia
Outro eixo importante do evento tratou de sustentabilidade econômica e regulação das plataformas digitais. O debate inclui propostas como taxação de big techs, fundos públicos de incentivo ao Jornalismo Profissional e novas políticas para assegurar a pluralidade informativa no país.
A defesa do jornalismo como pilar democrático também esteve presente em toda a programação, com especial atenção ao combate à desinformação, à violência contra comunicadores e aos ataques à liberdade de imprensa.
Decisões para o futuro
As resoluções aprovadas no Congresso irão orientar a estratégia nacional da Fenaj e dos sindicatos filiados, especialmente na campanha salarial unificada de 2026 e na construção de parâmetros para o uso de IA nas redações.
Além dos painéis e plenárias deliberativas, o evento contará com diálogos com universidades sobre ensino de tecnologias emergentes no jornalismo.
O Congresso contou com o patrocínio da Caixa, Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Banco do Nordeste (BNB) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além do apoio da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Associação dos Docentes da UnB (Adunb), Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf-CE), Sindicato dos Bancários do DF e Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

